ARTIGO: 'SEMANA FATAL'

A última semana de um segundo turno de uma eleição acirrada pode fazer gelar o estômago. Não apenas por sabermos que, no domingo que vem, enfim conheceremos quem governará esta heróica Paraíba a partir de primeiro de janeiro, mas, sobretudo, por um incômodo pressentimento de que os próximos sete dias poderão, infelizmente, transformarem-se num deplorável vale tudo.

É provável, inclusive, que tenhamos algumas “bombas” estourando daqui para o dia 31. Pelo menos uma certeza todos podemos ter: não faltam artífices destas nefastas bombas eleitorais trabalhando neste exato momento, buscando quaisquer fatos e factóides que possam ser explorados.

Este é um mal que, inclusive, não se restringe aos limites do território paraibano. Até a eleição nacional, com o fomento do inquieto presidente Lula – que não consegue deixar de se portar como um acalorado cabo eleitoral – vai desaguando numa onda de baixarias sem limite. Imaginem nestas nossas terras, que desde 1947 fervem a cada eleição!

Houve bombas sacolejando as eleições de 1994, fazendo naufragar a candidatura de Lúcia Braga. Houve vai e vem de armações e intrigas no pleito de 2002. Houve estrondos abalando a disputa em 2006 – estrondos cuja repercussão ainda fazem tremer a terra até hoje. A disputa democrática virou guerra, nitroglicerina pura!

Há até um episódio histórico que marcou a eleição municipal de 1959 em Campina. Foi a “operação fura pneus”, em que militantes mais apaixonados de Severino Cabral teriam furado, na noite anterior à votação, os pneus dos carros de aliados do rival, Newton Rique, tentando impedir que eles transportassem eleitores e dessem apoio logístico ao candidato.

Cada tempo com sua armação. Militante apaixonado, assessor adulador e aliado interesseiro é praga que dá como mato na Paraíba. E essa gente é, via de regra, capaz de tudo. Gente que transforma o evento democrático em um jogo sujo. É improvável, mas, resta-nos torcer para que tenhamos uma semana de paz.

Sortudo

Terceiro colocado na votação geral para o Senado da República na Paraíba, Wilson Santiago, do PMDB, pode acabar “herdando” o mandato, caso o ex-governador Cássio Cunha Lima não consiga reverter sua impugnação no Supremo Tribunal Federal.

Estrategista

Mas, dizer que Wilson Santiago é sortudo pode ser injusto. A verdade é que o atual deputado federal é um grande estrategista. Entrou com a missão de ser pelo menos o terceiro colocado, na expectativa de que Cássio seria impedido pela Justiça. Pelo sim, pelo não, ainda elegeu o filho, o jovem Wilson, seu sucessor na Câmara dos Deputados.

Imaginem

O atual senador Efraim Morais, do DEM, ficou apenas na quarta colocação. Tivesse Efraim sido o terceiro, como estariam agora seus sentimentos? Torceria pelo mal de seu aliado, Cássio? O grande revés nas urnas livrou o democrata desse dilema.

Publicado no Diário da Borborema deste domingo

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