ARTIGO: DIA DE ESPERANÇA

Os paraibanos voltam hoje às urnas para escolher o próximo governador. Pela lógica do sistema democrático, seria o fim de um processo eleitoral demorado, iniciado antes mesmo da pré-campanha, e que acabou transformando-se em uma campanha que, de razoavelmente tranqüila no primeiro turno, descambou para um verdadeiro vale tudo na reta final do segundo turno.

Tivemos, mais uma vez, um pleito marcado por episódios lamentáveis, uma eleição com cheiro de guerra, uma guerra em que os princípios mais elementares da democracia, do Estado de Direito e da ética política muitas vezes foram publicamente desprezados. Mas, este dia 31 de outubro, quando as urnas dirão quem habitará o Palácio da Redenção a partir de janeiro, não deve significar o fim da disputa pelos próximos quatro anos de Governo do Estado.

O chamado terceiro turno, quando os derrotados nas urnas partem para uma nova disputa, desta vez na Justiça, deverá começar logo após o anúncio do resultado. É de todo improvável que o perdedor reconheça o resultado da eleição de hoje. A batalha sairá das ruas, dos comícios e carreatas, da propaganda gratuita no rádio e na televisão, diretamente para os tribunais. Os dois lados já se encontram municiados do que consideram provas para questionar o resultado do pleito.

Esta judicialização do processo eleitoral apresenta-se como uma espécie de caminho inevitável, criado justamente pelos descaminhos que marcam as eleições. Não deveria, é certo, ser assim. O mínimo que se espera de um sistema democrático é que as urnas sejam soberanas. Mas, da mesma forma, elas só serão soberanas se o pleito for conduzido com total lisura.

Apesar, entretanto, de todas essas graves e lamentáveis verdades que não podem ser empurradas para debaixo do tapete, eleição é tempo de esperança. Afinal, o eleitor que sair de casa neste domingo, em pleno feriadão imprensado, para sufragar o nome do seu candidato preferido, seja ele quem for (desde que o faça por liberdade de consciência e escolha), estará praticando um gesto de esperança.

Mesmo que seu sentimento não seja esse, mesmo que limite-se a votar por desobrigação, mesmo que queira apenas evitar as sanções pelo descumprimento do dever legal de votar, quando, ao invés de optar pelo voto nulo ou branco, elege seu próprio candidato, este eleitor deposita na urna alguma expectativa. Uma pequena fé, é verdade, mas que faz deste 31 de outubro, a despeito de todos os percalços, um dia de esperança.

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