ARTIGO: CONTRADIÇÕES DE DOM ALDO

Na semana passada, repercutiu fortemente no Estado e – fora dele – um vídeo, circulante na internet, no qual o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, acusava o PT de defender a chamada cultura de morte do aborto como programa de governo. No vídeo, Dom Aldo chama a atenção para a controvérsia envolvendo a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, que, em pelo menos dois vídeos também disponíveis na Web, mostra-se favorável a descriminalização do aborto, postura hoje rechaçada por ela mesma.

As declarações do líder católico causaram indignação nos petistas, muitos dos quais voltaram a acusar Dom Aldo de tendências tucanas. Ante a polêmica, a Arquidiocese da Paraíba publicou nota, em que “esclarece que o vídeo postado no YouTube com declarações de Dom Aldo não foi postado pelo próprio arcebispo nem pela Arquidiocese”. Diz ainda que a mensagem foi gravada por representantes de uma entidade denominada Pró-Vida, do Sudeste do País.

E mais: “Lamentamos que essas pessoas tenham agido de má-fé, divulgando o vídeo na íntegra, fazendo entender que havia sido uma iniciativa do próprio arcebispo (...) vítima de uma armação para denegrir a sua imagem num momento tão delicado como este período eleitoral”. Armação? Ora, será Dom Aldo tão inocente, a ponto de não saber que tudo o que se diz diante de uma câmera acabará se tornando público, sujeitando-se a ser usado conforme as conveniências das pessoas?

Ademais, é incomum alguém reclamar porque suas declarações foram publicadas na íntegra. O normal é a irritação quando há edições. Logo, se o que está no vídeo é a íntegra do que disse Dom Aldo, como pode se falar em armação? Ora, o próprio arcebispo, na mensagem, cita o Evangelho: “O vosso falar seja sim, sim; não, não”, e diz que “ficar em cima do muro não é coisa de homem”. Pois então, como obediente ao Evangelho e como homem, assuma o que crê e diz, ao invés de tentar fazer-se de vítima. Ou fale menos.
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Publicado no Diário da Borborema de 15 de outubro

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