ARTIGO: 'CORONELISMO NA PARAÍBA'

Há algum tempo, um certo chefe político de uma certa cidade paraibana contratou um ônibus para conduzir estudantes universitários a Campina Grande. Proibiu, contudo, imperiosamente, o acesso de estudantes que sabia terem votado no candidato adversário, na eleição passada. Em uma outra cidadezinha paraibana, um outro chefe político, ao ser eleito, mandou despejar de uma casa mantida por “sua” prefeitura em Campina aqueles universitários que votaram no candidato adversário. Apesar de o voto ser secreto, ambos os casos se deram em municípios pequenos, onde é quase impossível não se saber “quem é de quem”.

É impressionante, mas ainda vivemos, em nossos dias, e não somente nas cidades menores do interior do Estado, absurdos alarmantes como estes dois exemplos, pequenos exemplos de um rosário quase sem fim que podíamos desfiar aqui. Emblemas de uma política da vergonha, sórdida, mesquinha, ignobilidade típica do horrendo coronelismo que ainda encontra lugar no Nordeste, mormente na Paraíba. O chicote dos coronéis hodiernos é a caneta; por capangas, têm assessores; não tira as terras dos pobres, como outrora, mas lhes expulsa do emprego; não dá tapa na cara, mas humilha e avilta pelos mecanismos mais sórdidos.

São os novos coronéis, desgraça de uma terra em que o sobrenome ainda pode muito, pode demais, pode quase tudo. A política no Brasil precisa, com urgência urgentíssima, de uma profunda reforma. Na Paraíba, não. Aqui, o jeito parece ser por tudo abaixo e começar de novo! Não podemos mais admitir a política da politicagem, os governos do medo, as campanhas do horror. É preciso defenestrar os coronéis, tomar-lhes o chicote, dizer com gestos e ações efetivas que esta terra não admite mais que o passado seja presente, porque quer e precisa avançar rumo ao futuro! Afinal, a Paraíba nunca poderá desenvolver-se e fazer-se grande enquanto mantiver uma política pequena.

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